
Infelizmente vivemos outros tempos, em que os interesses financeiros se sobrepõem à visão romântica que, de certo modo, estava presente na organização de alguns grandes acontecimentos desportivos motorizados; longe também do espírito a que nos habituou Thierry Sabine. Vem isto a propósito da atitude da ASO (Organizadora do «Dakar») de, na véspera da apresentação em Lisboa do «Africa Race», ter «sugerido» a vários pilotos portugueses que a sua presença na apresentação do rali organizado por René Metge e Hubert Auriol não seria bem vista. Inconcebível e inaceitável!
As atitudes muito discutíveis nestes domínios, por vezes roçando a prepotência, tomadas por entidades que deveriam estar acima de qualquer suspeita, começam a ser frequentes. Todos se lembrarão da última edição do «Transibérico», e da desclassificação de Pedro Silva Nunes, que na pista triunfou na categoria T2, desclassificação que para muitos foi no mínimo suspeita. O comissário técnico escolhido pela FIA, e que desde o início fez marcação cerrada ao carro do piloto português, é quem aluga a Artem Varentsov o Toyota Land Cruiser 100 com que o piloto russo passou a somar mais uma vitória na Taça do Mundo. Da mesma perseguição já se tinha queixado Hélder Oliveira, no «Abu Dhabi Desert Challenge», mas que, como acabou por desistir...
Mas há sinais de esperança, pois embora a «sugestão» da ASO tenha sido tomada à letra por alguns conhecidos pilotos, habituais participantes no «Dakar», quem não faltou foi Elisabete Jacinto, que, e apesar de também ter sido brindada com tal «sugestão», e numa prova de coragem, como é seu apanágio, não só esteve presente como aproveitou para anunciar a sua participação no «Africa Race».
Valha-nos isso…
Por Manolo (Revista 4x4)
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