sexta-feira, 29 de maio de 2009

Relato Elisabete Jacinto - As primeiras dunas de TGS

Comecei por fazer alguns quilómetros em pista para que a condução se tornasse intuitiva, para me sentir um pouco mais á vontade com o camião. 

Sentia alguma expectativa ao recordar os comentarias dos vários pilotos de TGS no Dakar, acerca do comportamento deste camião nas dunas.

Dirigi-me ao Sul do Erg para fazer os 30 quilómetros de pista de areia que contorna o Erg Chebbi pelo lado este, já ao final da tarde. O objectivo era fazder uma adaptação mais gradual mas a chuva tinha levado toda a areia. Decidi por isso entrar nas dunas e atravessar o Erg nas coordenadas habitualmente escolhidas pelo Rali Dakar.

A primeira duna subiu-a com uma facilidade incrível mesmo com os pneus ainda cheios de ar. Parei lá no alto com o erg todo á minha frente. Do outro lado viam-se as antenas de Merzuga e era nessa direcção que teria de seguir, serpenteando entre as dunas para escolher o melhor caminho.

Enchi o peito de ar mal o Marco terminou de baixar a pressão dos pneus e desci essa mesma primeira duna. Surpreendeu-me o facto do camião embalar e da traseira cair de repente fazendo um estrondo na base da duna. À segunda percebi que a técnica de condução herdada do M2000 não se adaptava ao TGS. Havia demasiado peso sobre o eixo da frente. Tinha de começar a travar nas descidas!

Em simultâneo era preciso procurar a velocidade ideal para circular, a mudança certa, a rotação mais adequada. A boa notícia era a de que não tinha de me preocupar com a rotação. Mesmo em baixa rotação o camião avançava tranquilamente, curvava e subia sem que tivesse que alterar a posição do pedal do acelerador. 

A notícia menos boa era a de que a caixa demorava um pouco mais de tempo a mudar de sector, ou seja, a passar de quarta para quinta e vice versa e a opção nem sempre é fácil.

A certa altura, decido parar a meio de uma subida.

Não a tinha abordado com  velocidade suficiente e o camião não estava bem posicionado. Iniciei a marcha atrás e, de repente, faltou-me o ar. Em vez de andar para trás iniciou um deslizamento lateral e percebi que com facilidade se desequilibraria.

Percebi perfeitamente o que significava ter um camião com um centro de gravidade mais alto e… digamos, não ganhei para o susto!

Concluímos com sucesso a travessia em direcção a Merzuga e rumamos sobre a areia em direcção ao Hotel Tombouctu começava já a escurecer.

Quando estacionei nas traseiras do hotel tinha já muito claro na minha cabeça que não poderia haver a mínima margem de erro na condução do TGS em duna!

Elisabete Jacinto

Marrocos - 22-05-2009



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